segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Alto do Alto


Aqui em cima, longe de tudo

Cercado do vazio

Obscuro

Seguro em minha torre de arrogancia e prepotencia

Esperando o ultimo cavaleiro jogar

A ultima carta do nosso destino


Uma luz difusa me alumia

Aqui em cima

Tomado pela ânsia e desespero

Pelo caos que reina dentro de mim 

Os dias passam, já não me sustento

Na corda que me provê

Distancia desses diabos, moribundo,

Mas nessa aurora fina mantenho temperança


Amoque, tola, delirante sem rumo

Ouço a súplica de uma dríade mecânica, musa mais que perfeita, eterna 

Correndo das trombetas que ameaçam nossa Jericó pós-contemporânea

Cansada, áfona, ela grita 

Temendo o fogo-fátuo, correndo d'O Mundo


O tempo para —


Aqui,

No alto do alto, rezando ao nada, saturado de tudo

Ignoro a segunda filha da mãe terra, e ela queima,

flama hipóxica, Azul Sozinha,

Da  mesma cor que a penumbra 

sem vida


— O tempo volta a andar —


E então me dou conta

Da estrela que eu tinha





[P.S.: 22:07 domingo, 18 de outubro de 2020, ainda não pensei a respeito, independente do futuro, agora eu te amo e é isso q importa]

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