domingo, 13 de outubro de 2019

Amoque Obstinado


eu não me apaixono, eu não amo
eu venero - obcecado como um religioso fanático invocando um deus-demônio-fera
alimento meu sangue àquela empatia sádica que a mim foi dada,
já na ânsia da chegada do começo do fim

sozinho eu não existo, não mereço existir
sozinho, a alma grita; a pele urge; mente corrói;
pecado clama
sozinho sou entidade amargurada do Caos

até que finalmente acontece

caio na armadilha do destino
preso
em Sua companhia sou cavaleiro do apocalipse
trazendo o fim inesperado
sou a hiena fraca, faminta, na presença da morte do leão
consumo cada fagulha,cada benção divina,queimo o signo de sua permanência

assim,volto à solidão sombria dos dias sem um deus

ateu, choro,
sem mais a marca da besta
sem mais algum resquício de Seus milagres
mas, ainda com o sangue do sacrifício em minhas mãos
busco a próxima musa de minha vida
pois sozinho não existo
e nada amo o suficiente para poder preservar