Ainda não sei o que eu sou, mas definitivamente não sou o que queria
Queria ser tão obtuso quanto Poe
tão metafórico quanto Plath
tão romântico
quanto Moraes
tão grosseiro quanto dos Anjos
mas eu não sou nada
sou uma amálgama disforme, sem cultura
sem âncora, nem porto seguro
eu sou o que meu emocional me permite ser
romântico-obtuso-confuso
eu não sou ninguém
não fui deus, não sou demônio
sou fantasma
um receptáculo vazio -desperdício humano- blasê
eu não nada
não sou poeta
não sou amante
sou o plágio de um clichê
ambulante
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